"(...) seu sorriso me atropelou e a sua luz iluminou. Bate o tambor no coração da menina, na esquina pode estar o amor, é o calor que vem do lado de cima, quem que pôs o fogo no cobertor? Será o sol que tem ciúme da lua por não ver a noite nem o luar? Será o som que vive dentro da gente e aponta o caminho do mar?" Lô Borges e Fernando Brant.
08.
na verdade eu não tenho muito o que dizer e não é porque não tenho exatamente, mas sempre tive dificuldade para escrever o que não me aflige. não tenho aflições agora, não agora, nesse exato momento. agora tenho essa aula que acontece e não me ocupa.
não tenho me ocupado com aulas esses dias e não é porque estou me ocupando com outras coisas, é só que com aulas não. de preocupações me ocupo. "faz sentido?" (acho que essa foi a frase mais relevante que ouvi desse professor esses dias)
15.
não importam as voltas, nós já sabemos onde quero chegar. tem sido mesmo o meu destino. o único. e nesse exato momento isso não me aflige, não sei daqui a pouco. posso me virar, olhar aqueles olhos e me afligir. não sei por que me afligiria, mas talvez sim. me vi olhando e fazendo um retrato de palavras azuis. fazendo um retrato dos azuis em palavras, mas talvez não seria possível.
eu não sei como consegui passar tanto tempo sem sentir o que em mim mais esquenta. não sei como pude pensar que isso não era necessário, na verdade, eu queria até que continuasse não sendo. queria mesmo. queria que olhos, bocas, seios, mãos não passem de vistas, gostos, ar, gestos. toques não, ou sim, não sei.
18.
se ela soubesse que me faz sentir viva, que me faz mulher... não sei porque usei "se", mas é isso. estou viva mesmo. e agora volta o medo. eu não saio mesmo da sua cabeça? sou eu? só eu? é mesmo verdade isso tudo?
eu queria te agradecer pela música, pelas cores do céu, pelo céu das suas cores, muito. fica. pra sempre? de qualquer jeito. só fica, perto ou longe. fica. não, longe não, ainda não. fica assim desse jeito que me faz querer falar de amor o tempo todo. fica assim que eu vejo melhor. sinto melhor, sou melhor com você. fica?
2 comentários:
Também tenho essa dificuldade enorme de escrever sobre o que não aflige. E no fundo - ou mesmo no raso - é, talvez, normal. Escrever é, dentre outras coisas, como disse Caio F. certa vez, colocar o dedo na garganta, vomitar, ver o que sai, peneirar a gosma, modelá-la...
O que não vier desse processo, é superficial, portanto, não toca, não convence. Você convence. O sentimento descrito é tão bonito que causa certa inveja. Sim, convence.
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