o dia começou pedindo nostalgia, talvez tenha sido pela noite estranhamente bem dormida ou pela preguiça enorme de deixar o sol invadir e começar uma nova manhã. e, apesar da minha preguiça, ele veio, bem sem jeito, jogando raios entre as nuvens, devagarzinho, como se tivesse em suas mãos todo o tempo do mundo.
senti vontade de deixar que aqueles pequenos raios de sol tocassem minha pele amargamente branca, abri a cortina e o calor tímido que tomou meu corpo aqueceu dos dedos dos pés à minha alma. foi como se tivesse embebida em líquido amniótico e sob o conforto de um útero materno, como se nada fosse mais importante que apenas estar ali e pertencer inteiramente àquele momento.
havia um gosto doce em minha boca úmida, um som suave que vinha de um ponto dentro de mim, como se as batidas do meu coração e o correr do sangue em minhas veias fizessem uma sinfonia. tudo aquilo se encheu de um azul que, assim como o sol, se espalhava bem devagar como se houvessem pequenas formigas pintando, cuidadosamente, cada pedacinho do céu.
senti meu corpo como se fosse um réptil que acaba de fazer sua muda e desperta, refeito, para uma nova fase de sua vida, deixando para trás uma carcaça desgastada e abrindo os olhos para a beleza do novo, que traz nos pequenos detalhes a suavidade de tudo que ainda há para viver.
domingo, 23 de novembro de 2008
quinta-feira, 6 de novembro de 2008
breve.
os olhos ardem, me sinto um lixo.
completamente vazia e infestada de medos.
me faltam lágrimas e palavras, já não tenho mais nada.
completamente vazia e infestada de medos.
me faltam lágrimas e palavras, já não tenho mais nada.
terça-feira, 4 de novembro de 2008
Olheiras, ossos e escárnio.
"Eu jamais serei o que eu quero e jamais serei o que eu sou sem precisar disfarçar que quase sou o que eu quero. E cada hora eu quero uma coisa. E no fundo eu não quero porra nenhuma. Talvez só encher um pouco o saco, provocar, ser expulsa do peito de todo mundo porque não agüento morar nesses lugares obscuros que são os outros e suas más intenções disfarçadas. Tudo é uma jaula, até minha fuga. Principalmente minha fuga. E eu estou cansada demais. É só olhar pra mim. Olheiras, ossos e escárnio."
Tati Bernardi.
Tati Bernardi.
sábado, 1 de novembro de 2008
Freundschaft.
descobri que sinto muito a sua falta, e é estranho perceber que se eu soubesse que você iria ler isso, talvez isso nem estivesse aqui. tem dias que me deparo com o vazio que você deixou no meu coração e procuro em todos os lugares, mas, definitivamente, não encontro nada igual.
eu lembro de quando a gente se conheceu, da primeira vez que dormi na sua casa, da primeira vez que me abri com você, das primeiras coisas em comum, e de todas as vezes que olhei pra gente e vi na simplicidade da nossa rotina a coisa mais linda que podia haver nesse mundo.
tenho os olhos cheios de lágrimas, um nó na garganta, e um aperto tão grande no peito que se você pudesse sentir o que estou sentindo agora, nunca pensaria que eu me esqueci da gente. eu não consigo entender como aquilo tudo pôde se tornar tão pouco.. antes não existisse mais nada, sabe? o que realmente incomoda é o pouco, o pouquíssimo, o quase nada.
hoje acordei com vontade de ter um dia exatamente igual a qualquer dia em que eu estive com você. podia ser uma coca-cola, um chocolate, um filme, um baralho, podia tanto ser exatamente igual a qualquer dia em que eu estive com você, tanto.
eu sinto muita falta da sua forma simples de ver a vida, dos seus olhos quase verdes, da sua voz combinando com a minha, da sua risada gostosa, da nossa comunicação sem palavras, da sua família, da minha cama embaixo da sua, da sua inocência, de escovar os dentes com a sua escova, do vento nos seus cabelos loiros, sinto falta da sinceridade estonteante do amor que envolvia cuidadosamente a nossa amizade.
e é triste, é muito triste ter que sentir saudades.
eu lembro de quando a gente se conheceu, da primeira vez que dormi na sua casa, da primeira vez que me abri com você, das primeiras coisas em comum, e de todas as vezes que olhei pra gente e vi na simplicidade da nossa rotina a coisa mais linda que podia haver nesse mundo.
tenho os olhos cheios de lágrimas, um nó na garganta, e um aperto tão grande no peito que se você pudesse sentir o que estou sentindo agora, nunca pensaria que eu me esqueci da gente. eu não consigo entender como aquilo tudo pôde se tornar tão pouco.. antes não existisse mais nada, sabe? o que realmente incomoda é o pouco, o pouquíssimo, o quase nada.
hoje acordei com vontade de ter um dia exatamente igual a qualquer dia em que eu estive com você. podia ser uma coca-cola, um chocolate, um filme, um baralho, podia tanto ser exatamente igual a qualquer dia em que eu estive com você, tanto.
eu sinto muita falta da sua forma simples de ver a vida, dos seus olhos quase verdes, da sua voz combinando com a minha, da sua risada gostosa, da nossa comunicação sem palavras, da sua família, da minha cama embaixo da sua, da sua inocência, de escovar os dentes com a sua escova, do vento nos seus cabelos loiros, sinto falta da sinceridade estonteante do amor que envolvia cuidadosamente a nossa amizade.
e é triste, é muito triste ter que sentir saudades.
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