quarta-feira, 26 de agosto de 2009

(sobre)viver

O céu nublado, o cheiro de Jasmin e, principalmente, o som da confluência das águas hipnotizam a gente. Dá uma vontade enorme de dizer sim. E eu disse sim à menina que esmolava em seu bilhete e ao escritor que divulgava seu trabalho em troca de alguma contribuição voluntária.

Leio enquanto espero e não posso medir o tempo e, por conhecer as asas daqueles ruivos fios avoados, sei que chegará em algum instante que ultrapasse as 14h. Não importa o atraso, ele sempre deixa as coisas um tanto quanto mais bonitas. Ele combina cores que eu, com minha humilde caixa mental de doze lápis-de-cor, nunca conseguiria imaginar juntas. Aquela blusa que eu chamaria marrom, mas que ele daria algum outro nome mais floreado, combinava com a jaqueta azul royal como preto no branco e nuvem no céu.

Também não me importo com os atrasos da Alcione, aquele abraço acolhedor vale o mundo, a varandinha e as almofadas roxas do sofá branco também. A voz dela embala a hora que passo ali e depois não me importo de subir aquele morrinho, nem me incomodo muito com a escolha do ônibus que vou pegar para voltar.

Ontem minha mãe disse que gostava de me ver sorridente, que era como se acendessem um segundo sol no céu. Hoje ouvi meu coração dizer que gostava quando eu permitia que ele sorrisse, e a verdade é que eu também gosto de me sentir assim. Não é tão difícil deixar a vida sorrir pra gente, é uma questão de ponto de vista e da vista que se tem de um ponto.