domingo, 28 de junho de 2009

Na mesa daquele bar

"Essa coisa trágica, esporádica e sutilmente cômica que o amor tem. Quando os dois vão cair, cada um não tem receio, pois há o apoio do outro. Sobra uma poeira leve que flutua no ar e brilha na luz. É como um desespero, uma casa dessossegada que pulsa forte como uma vontade que não acaba e atormenta de um jeito que enlouquece e que você não quer que acabe. E há esse emperrado que você tenta a todo custo superar, mas que nunca vai embora completamente e reixa restar um mistério suficiente para instigar. Uma realidade que você faz questão de enfrentar. Do tempo esquecer, as exigências do mundo desprezar, voar, desejar nunca estar em outro lugar, pular em cima, beijar, cheirar, chorar de emoção, se explodir de sentimento, não se aguentar, querer voar ao céu, sonhar, querer, querer, querer lindo, difícil e complicado e para sempre."
(Guilherme Legnani)

quarta-feira, 24 de junho de 2009

(con)viver

não pensava nisso quando tranquei a faculdade.
não pensava que depois de um tempo estaria trancada em casa e em mim também.

tô sentindo um vazio que não é de amor, nem de carinho, nem de nada disso. é vazio de vida, de perspectivas, de gente passando por mim sem deixar nada, de poder ver de perto o cotidiano entrelaçando vidas completamente distintas.

estou cansada de mim e de tudo que sou sem nem saber, de tudo que me questiono como que pra fingir que há algo de profundo e obscuro nessa minha casca tão clara e mais simples que qualquer pergunta feita por qualquer criança curiosa desse mundo. não me aguento mais e não tem outro jeito, não posso dizer pra mim que essa relação está desgastada e desconstrutiva, é prisão perpétua mesmo.

quero um pouco mais do que não me pertence: quero os assuntos dos outros, os problemas dos outros, as mentiras descaradas dos outros, as máscaras dos outros, as risadas, os olhares, vozes, gestos, verbos, jeitos.

sinto como se tivesse perdido o direito de participar desse acontecimento constante que é viver.

”Eu me sentia muito quieta e muito vazia, do jeito que um olho do furacão deve se sentir, movendo-se surdamente em meio à algazarra do lado de fora." (Sylvia Plath)

segunda-feira, 15 de junho de 2009

monólogo

tenho tido vontade de escrever, mas ando naquelas épocas em que as palavras não saem nem que a vaca tussa e corra loucamente pelo pasto. costumava ler Tati Bernardi quando isso acontecia, mas ela resolveu que o amor é um diálogo e que o site dela existe para me lembrar disso todas as vezes que entro lá com a esperança de me deparar com algum texto novo em um site ultra reformulado.

sabe pássaro quando para de cantar? então, tenho me sentido assim. não sei se é silêncio de tristeza, de medo, ou de silêncio mesmo. às vezes a gente tem que calar pra ouvir, né? e nada mais difícil que ouvir aquilo que fala dentro da gente.

queria sentar e olhar pro mar durante 857 horas, e depois disso queria estar em um lugar muito alto pra poder ver tudo bem pequenininho por mais 523 horas, e queria passar essas 1380 horas acompanhada por todas as faces de mim mesma, como se o mundo todo fosse feito de mim, para mim e nada mais.

tiraram as folhas do meu coqueiro, nunca pensei que fosse sentir tanta falta delas. sei que foi pro bem dele, mas agora ele está magrelo e careca, como se tivesse acabado de nascer (de novo). é claro que a intenção foi exatamente essa de dar vida nova à ele, mas confesso que o incômodo que sinto ao olhar para ele sem folhas é a minha vontade disfarçada de ser coqueiro e ter alguém pra tirar minha folhas secas de vez em quando.

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