não pensava nisso quando tranquei a faculdade.
não pensava que depois de um tempo estaria trancada em casa e em mim também.
tô sentindo um vazio que não é de amor, nem de carinho, nem de nada disso. é vazio de vida, de perspectivas, de gente passando por mim sem deixar nada, de poder ver de perto o cotidiano entrelaçando vidas completamente distintas.
estou cansada de mim e de tudo que sou sem nem saber, de tudo que me questiono como que pra fingir que há algo de profundo e obscuro nessa minha casca tão clara e mais simples que qualquer pergunta feita por qualquer criança curiosa desse mundo. não me aguento mais e não tem outro jeito, não posso dizer pra mim que essa relação está desgastada e desconstrutiva, é prisão perpétua mesmo.
quero um pouco mais do que não me pertence: quero os assuntos dos outros, os problemas dos outros, as mentiras descaradas dos outros, as máscaras dos outros, as risadas, os olhares, vozes, gestos, verbos, jeitos.
sinto como se tivesse perdido o direito de participar desse acontecimento constante que é viver.
”Eu me sentia muito quieta e muito vazia, do jeito que um olho do furacão deve se sentir, movendo-se surdamente em meio à algazarra do lado de fora." (Sylvia Plath)
quarta-feira, 24 de junho de 2009
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