foi como se as suas mãos em meus cabelos enrolassem o passar das horas para que não escorresse por entre seus dedos nenhum milésimo de segundo daquele instante. pela primeira vez te senti inteira, e a ternura usual de seu olhar ganhou um novo brilho quando me percebi completamente entregue a seus olhos fixos nos meus.
nossas palavras intencionalmente quentes fervilhavam meu sangue, e crescia em mim uma vontade incontrolável de encostar meu corpo no seu e sentir derreter a sua pele na minha. sua mão escorria dos meus cabelos para meu rosto, e seus dedos passavam por meus olhos e repousavam em minha boca ao mesmo tempo que a distância entre nossos corpos diminuia.
seus lábios frios e molhados encostaram nos meus, nos beijamos com tanta calma que foi como se o mundo tivesse parado de girar para contemplar o momento em que nossas almas caminhavam para fazer de nossos corpos um só. nos afastamos e nos olhamos sem dizer nada, meus olhos queimavam e meu corpo estava, agora, extremamente frio. tive uma vontade enorme de lhe dizer muitas coisas, mas preferi contemplar aquele instante como quem soubesse que o faria pela última vez.
assim ficamos, em silêncio, até que nos despedimos com um longo abraço e algumas palavras ao pé do ouvido:
- Se cuida, viu?
- Você também.
terça-feira, 10 de fevereiro de 2009
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