segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Amor em cinco atos - I


"Tenho me confundido na tentativa de te decifrar, todos os dias. Mas confuso, perdido, sozinho, minha única certeza é que de cada vez aumenta ainda mais minha necessidade de ti. Torna-se desesperada, urgente. Eu já não sei o que faço (...) Como pude cair assim nesse fundo poço? Quando foi que me desequilibrei? Não quero me afogar. Quero beber tua água. Não te negues, minha sede é clara." Caio F.



14.
não sei se é a sibutramina, cansaço, alegria ou amor. lembro que já senti algo parecido, mas parece que, no fundo, essas coisas que beiram à loucura nunca se parecem por mais parecidas que possam parecer. sinto, por dia, uns quatro ou mais, ou menos, sentimentos fortes e opostos.

alegria, tristeza, raiva, cuidado, amor, tristeza, alegria, paz, inquietude, raiva, nervosismo, amor, amor, dor, medo, força, solidão, completude, amor, grande, tristeza, desespero, medo e amor. e a inquietude é de corpo e alma, daquelas que fazem a perna bater, mexer, tremer, como se fosse para o mundo virar de cabeça pra baixo, como se fosse para fazer barulho, muito barulho, para silenciar o mundo meu.

e de tanto barulho me irrito, me irrito bem na superfície da pele, bem no meio do estômago. falta ar, falta mesmo. e me coço, me mexo, não paro. e o amor, não sei, o amor é novo, é quente, é frio, é lindo. mas não é meu, é dor, é medo, é triste e lindo, e cuido e me completo só. só. sem ser amor do amor que amor. é mesmo novo, mas forte, e impossível, sabe? impossível porque vejo que é vidro ou sonho, e se esvai, e se quebra, no menor dos movimentos.

23.
e tenho que me conter, tenho que me calar, tenho que me controlar em meio a tanto descontrole. já não sei mais o que sentir diante desses olhos azuis brilhantes, explodo tudo aqui dentro para evitar vazar aqui fora. mas eu sei que vaza, eu sei que ela toca algumas dessas erupções, sei que ela fica. ela toca e fica. eu juro que fica. não pode ser só imaginação, nem loucura. não pode ser, porque eu quero muito que ela fique. mas quero mais que isso e não quero querer mais, eu juro que não quero, porque são tão lindos os olhos que não sei se saberei apreciar o azul do céu sem me lembrar do azul daquele olhar. acho que, mesmo que tudo acabe agora, eu nunca mais vou deixar de me afogar nesse mar.

e me afogo de perto. não sei se conseguiria nadar para ver um pouco mais de longe. não sei se me afogaria mais, não sei se conseguiria chegar em terra firme, não sei se quero tentar me salvar desse afogar de amor. não sei se posso, se devo. não sei.

e paciência? não consigo outra palavra que me irrite mais agora. porque é urgente demais, é tanto, tanto, mas tem a música, que veio com ela como se soubesse que seria preciso. a música veio com ela, dela, nela, como se soubesse que precisaríamos nos embalar. como se soubesse que eu precisaria me fazer falar de algum jeito, como se soubesse que eu precisaria ouvir todas as coisas mais bonitas do mundo só para não ter que dizê-las a ela.

56.
eu diria, juro que diria, muito menos que qualquer música, mas diria. e é tanto que ligo agora uma música e me calo. é tanto que me calo e ouço as coisas bonitas que ela ouve para calar ou falar o azul sem fim daquele mar-olhar.


domingo, 23 de janeiro de 2011

heavy cross

"it's a cruel cruel world to face on your own, a heavy cross to carry alone. the lights are on, but everyone's gone.. and it's cruel (...)

vira e mexe me vejo querendo saber como me controlar. sei muito sobre como as coisas começam dentro de mim, mas quase nada sobre como lidar com elas e até onde tudo pode chegar. sei de um milhão de coisas que me incomodam, sei dos meus vários níveis de incômodo, mas uma vez incomodada, perco o tom. desafino.

tenho um sistema de defesa emocional que é mais eficaz que qualquer sistema imunológico munido dos melhores e mais numerosos anticorpos do mundo. minha fragilidade travestida de maturidade e distanciamento proposital das coisas é o ponto forte de toda essa loucura. basta uma pontinha de perigo, um sinal de instabilidade no terreno pra começar a guerra: me dou por vencida antes mesmo de lutar. se luto, o faço em constante recuo, me defendendo, a qualquer custo, de qualquer coisa.

o problema é que me preocupo tanto com o coração dos outros, tanto, que, inconscientemente, exijo que lidem com o meu coração exatamente da mesma forma. mas não lidam, e nem devem, é meio insana essa necessidade de cuidar tanto assim do que não é nosso. mas não posso evitar, posso, devo, não consigo, eu acho. ai é assim: eu cuido. você cuida? para não ouvir nem sim, nem não, piro. me preparo para a dor e acabo repelindo tudo aquilo que não-é-para-ser-dor. e dói. porque eu fiz assim.

ainda nessa lógica, sempre me preocupo muito em não deixar dúvidas quanto ao que sinto pelas pessoas. gosto que elas tenham certeza do que encontrar em meu coração. e procuro, quase sempre, essa certeza em outros corações. quase nunca encontro. as pessoas não se importam muito em deixar as coisas claras. aliás, ultimamente, tudo que não é claro têm me incomodado tanto que acabo no escuro. acabo me calando pra não ter que ver o escuro. o escuro só é escuro se há o claro. se tudo tende a ser escuro, seja então, sem claro. não vou ficar tentando acender a luz, só assim não dói. à merda, dói sim.

dói porque luto contra mim o tempo inteiro. censuro minhas reações em constantes movimentos contrários a elas, mas não dou conta, sabe? nunca dou. sou minha maior fraqueza, disso não tenho mais dúvidas. vivo dizendo pra mim que ninguém sabe de nada, que deveriam aprender comigo a lidar com o outro, mas, meu Deus, que absurdo! não sei nem o que fazer do que fiz de mim.

dia desses disse a uma pessoa querida que estava me sentindo sozinha.

- Como assim? Como se ninguém gostasse de você?
- É. E também como se eu não gostasse de ninguém.

não se vive só. em lugar nenhum desse mundo. a questão é que, para mim, não basta quem simplesmente está. preciso, também, que saibam dizer que vão ficar.


(...) it's a funny way to make ends meet, when the lights are out on every street. it feels alright, but never complete without joy.."


quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

súplica

apaga, apaga, apaga. tá doendo. por favor, apaga. é uma cena estupidamente linda que o que tem de estúpida é minha culpa. eu olhava para olhos que olhavam para outros olhos.. olhos, lindos, que olhavam. por que tive que colocar meus olhos e tornar estúpida a beleza daquele olhar?

por que fui me colocar entre os olhares? só por que me coloquei em sua vida um pouco antes disso? por que?

sentido

pra variar não sei do que quero falar. até sei, mas não vou porque não posso, ou não quero, bla, bla, bla. o bom escritor, para mim, é aquele que escreve para todos mas só é compreendido de fato por quem ele quer que o compreenda. a capacidade de censurar e direcionar a escrita é, para mim, indicador de excelência de um escritor.

não tenho pretensão de ser uma escritora, muito menos uma boa escritora, mas ando precisando manusear melhor as minhas palavras. ando precisando aprender a chegar onde quero chegar e levar só quem quero para chegar comigo. querências à parte, vamos logo ao que dá pra fazer:

tem uns sentimentos que me intrigam. aliás, sentimentos, quase todos, me intrigam muito. principalmente aqueles que sentimos. é óbvio que há essa divisão entre os sentimentos que sentimos e os que simplesmente existem dentro da gente. sentimentos que sentimos são aqueles que ultrapassam os limites do coração e invadem o corpo inteiro: tiram o ar, queimam no estômago, bambeiam as pernas, lacrimejam os olhos, ardem, ardem, ardem, e doem também. daquelas dores de torcer o corpo, sabe? de encolher tudo pra poder doer mais.

pode ser amor, raiva, ciúmes, tesão. às vezes é bom quando é amor, tesão também. mas a raiva e o ciúmes são de querer morrer por não poder matar, ou vice-versa. e o mais cruel é a hipocrisia de saber que sentir é extremamente humano, mas, na maioria das vezes, falar do que sentimos nos torna loucos, lunáticos, paranóicos, descontrolados, idiotas. idiota é sentir então. e é mesmo, mas como não dá pra evitar o sentimento, nos unimos e nos julgamos em idiotices.

se não fosse pelo sentir, eu diria que sou uma pessoa ótima para relacionamentos de todos os tipos. às vezes acredito que se mais pessoas pensassem e agissem como eu, o mundo poderia ser melhor. quase acredito que sou mesmo uma excelente amiga, uma excelente namorada... quase, porque antes de acreditar sinto. e quando sinto, sinto como todo mundo. nós temos, todos, uma fraqueza em comum e isso chega a ser bem bonito. sentimos, todos, e é essa uma das mais lindas e avassaladoras dores do mundo.

sentir não seria tão doído se se permitisse conviver com a razão, mas não. basta sentir para perdermos o fio da meada. há os que, ainda assim, conseguem fingir certo controle, há os que não, e, sinceramente, não consigo saber quem é melhor. esse falso controle redobra a insupotabilidade dos sentimentos, e a falta dele.. não sei muito bem o que pode causar não, mas deve causar coisas boas e coisas ruins, não só endossar o que se está sentindo.

não interressa, já foi, né? então boa noite.