quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

sentido

pra variar não sei do que quero falar. até sei, mas não vou porque não posso, ou não quero, bla, bla, bla. o bom escritor, para mim, é aquele que escreve para todos mas só é compreendido de fato por quem ele quer que o compreenda. a capacidade de censurar e direcionar a escrita é, para mim, indicador de excelência de um escritor.

não tenho pretensão de ser uma escritora, muito menos uma boa escritora, mas ando precisando manusear melhor as minhas palavras. ando precisando aprender a chegar onde quero chegar e levar só quem quero para chegar comigo. querências à parte, vamos logo ao que dá pra fazer:

tem uns sentimentos que me intrigam. aliás, sentimentos, quase todos, me intrigam muito. principalmente aqueles que sentimos. é óbvio que há essa divisão entre os sentimentos que sentimos e os que simplesmente existem dentro da gente. sentimentos que sentimos são aqueles que ultrapassam os limites do coração e invadem o corpo inteiro: tiram o ar, queimam no estômago, bambeiam as pernas, lacrimejam os olhos, ardem, ardem, ardem, e doem também. daquelas dores de torcer o corpo, sabe? de encolher tudo pra poder doer mais.

pode ser amor, raiva, ciúmes, tesão. às vezes é bom quando é amor, tesão também. mas a raiva e o ciúmes são de querer morrer por não poder matar, ou vice-versa. e o mais cruel é a hipocrisia de saber que sentir é extremamente humano, mas, na maioria das vezes, falar do que sentimos nos torna loucos, lunáticos, paranóicos, descontrolados, idiotas. idiota é sentir então. e é mesmo, mas como não dá pra evitar o sentimento, nos unimos e nos julgamos em idiotices.

se não fosse pelo sentir, eu diria que sou uma pessoa ótima para relacionamentos de todos os tipos. às vezes acredito que se mais pessoas pensassem e agissem como eu, o mundo poderia ser melhor. quase acredito que sou mesmo uma excelente amiga, uma excelente namorada... quase, porque antes de acreditar sinto. e quando sinto, sinto como todo mundo. nós temos, todos, uma fraqueza em comum e isso chega a ser bem bonito. sentimos, todos, e é essa uma das mais lindas e avassaladoras dores do mundo.

sentir não seria tão doído se se permitisse conviver com a razão, mas não. basta sentir para perdermos o fio da meada. há os que, ainda assim, conseguem fingir certo controle, há os que não, e, sinceramente, não consigo saber quem é melhor. esse falso controle redobra a insupotabilidade dos sentimentos, e a falta dele.. não sei muito bem o que pode causar não, mas deve causar coisas boas e coisas ruins, não só endossar o que se está sentindo.

não interressa, já foi, né? então boa noite.

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