quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Amor em cinco atos - III

(21)

"when you're down and troubled and you need a helping hand. and nothing, oh, nothing is going right, close your eyes and think of me and soon I will be there to brighten up even your darkest night. you just call out my name and you know, wherever I am, i'll come running to see you again. winter, spring, summer or fall, all you got to do is call and I'll be there, yeah, yeah, yeah. you've got a friend." Carole King.

22.
é que eu te sinto tanto. dissemos hoje que as pessoas te veem e imaginam uma vida perfeita dos olhos azuis, dos mesmos olhos do mesmo azul. tolos, todos tolos, meu bem. quando te disse que sinto suas oscilações de humor ao longo do dia, ah, não sei se o faria se não fossem esses olhos. se não fosse a alma sua que seus olhos, translúcidos, não deixam calar.

48.
não é à toa que me perco ao te olhar. não é à toa. porque te sinto tanto. nunca pensei em sentir o que vejo do que veem outros olhos que não os meus. nunca pensei que meus olhos pudessem ser capazes de sentir assim. e o que mais gosto dos seu olhos é que posso senti-los ainda que os meus estejam completamente fechados.

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01.
mas é que hoje senti um medo enorme diante da sua força que transbordava em lágrimas. não exatamente medo, quer dizer, medo sim. medo de ter que ser o seu apoio. não sei se me aguento, diante da minha força que se faz fraca perto dos pesos que você carrega dessa vida.

medo que tudo isso acabe com você, sabe? medo desse meu silêncio constante diante dos seus pedidos de socorro. quero tanto poder te ajudar, mas, confesso, não tenho a mínima idéia de por onde começar. hoje senti que a primeira coisa a fazer é não querer de você nada mais que isso.
olha, não é pouco não, meu bem, acho que é suficiente. é só que ainda não consegui evitar esse querer mais de nós, mas só ainda, isso pode mudar.

imagina se diante de todas essas coisas que vivem dentro de você, ainda aparecesse esse peso de amar errado. não quero ser peso, nem dor, nem medo, nem nada. só ouvidos e colo. quando você me pergunta como poderia agradecer, me vejo te pedindo um beijo. te vejo me beijando. para agradecer. como se isso que há de lindo entre nós estivesse sendo negociado. não quero isso para nós, não posso deixar que o seu desespero me cegue também.

não posso fingir que não me pergunto se sua correspondência não é apenas mais um ato de desespero. e não é orgulho de não querer ser "usada'', te juro, meu bem, é só vontade de te mostrar que, de algum jeito, as coisas podem ser diferentes. é só para te mostrar que estou aqui para você, estou e fico porque quero ficar, estou e fico sem que você precise me agradecer.

40.
estou e fico sem que você precise retribuir aquilo que nem estava planejado. fico porque você está, fico porque nós estamos, segura minha mão, sem medo. eu não vou soltar.

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