quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Amor em cinco atos - IV



"(...) hoje não canto, não falo, não saio, não durmo bem. Os tênues fios que me ligam a você estão hoje em prantos e, no entanto, arriscamos tanto nos envolver. Desligo você, nus, deslizamos. pra que te esquecer se o amor é tanto? Existo em você por louco engano." Luíz Gabriel Lopes e José Luis Braga.



06.
sei que, no fundo, fui a voz que te chamou aqui pra fora, que te lembrou desse mundo nosso que pode ser pelo menos um pouco mais doce que ficar presa aos seus pesos todos. e quando eu disse que não devo querer de você nada mais que isso é porque não suportaria ser a mão que te levaria de volta pra lá. não quero te frear, eu te chamei pra essa estrada, não foi? e chamei de coração. não foi por mim. não. foi por você.

não posso te pedir pra que me acompanhe, não posso querer não te perder de vista, não posso. e você ainda vem me falar sobre tatuar pássaros. e eu aqui me incomodando com a sua decolagem. não posso, meu bem, isso seria um absurdo, quase um crime. se for para ser amor, que ele te vista de asas, do contrário não deve servir, nem pode, nem vai. não serve.

00.
te falo do que sinto de seus olhos, você me diz que quase chora. te digo que seus olhos têm muita alma e que sua alma tem muitos daqueles passarinhos. você diz que não sabe como os vejo, mas se vejo, vejo mesmo. ai te digo que não sei se funcionaria com outros olhos que não os seus. ai você me fala de amizade.

amiga, eu casaria comigo se estivesse me ouvindo. depois, em uma noite daquelas, você me beija, me esquenta e me quer, amiga. e ainda não me entende quando digo que tenho medo. o meu medo vem exatamente da sua falta de medo. vem das suas oscilações, vem do quanto parece que você não sente medo porque não sente nada, amiga.

45.
e me ocupo dessa vontade enorme de não mais querer, quando me sinto quase apta você sopra em meu ouvido o convite para o frescor dos seus beijos cada vez mais quentes. me lanço, amiga.

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