sábado, 28 de agosto de 2010

sobre o tempo

confesso que tenho sentido vontade de escrever há um bom tempo, confesso que tenho sentido vontade de muitas coisas ao mesmo tempo. tempo que nunca dá: quando preciso ele voa, quando não quero rasteja. por que não passamos, os dois, simplesmente?

estou em descompasso comigo, com o mundo, com o tempo, o tempo todo, há muito tempo. "friendship", "love", "solitude" nunca tinham sido, para mim, caminhos tão distintos. só agora parece que não há nessa estrada uma via que me permita estar, ao mesmo tempo, em todas as outras. quanto mais o tempo passa, quanto mais me conheço, mais incompleta de todo o resto estou: me completo de mim e me falto do mundo. e cresço, dentro, meu, em mim, só.

para onde vai isso tudo quando a vida vacila? o que somos nós diante da força que a fragilidade da vida tem? o que fazemos com o tanto que temos de nós quando simplesmente não nos bastamos?

o que faz agora aquele homem sempre forte, sempre lúcido, sempre tão elegante? o que faz agora aquela mulher sempre em movimento, sempre nos falando alguma coisa, sempre nos tirando o fôlego com sua disposição? o que fazem eles? o que pensam eles da vida agora? sinto que eles me diriam que sentem falta de quando tinham força suficiente para crescer incompletos do resto do mundo.

por que passamos por tantas fases se o fim é tão idêntico ao começo? qual é o sentido de crescermos completos de nós, se no início e no fim simplesmente não nos bastamos? pra que tantas voltas? de que adianta chegar até o fim e, só então, lembrar que nada somos se somos sós?

Um comentário:

Janayna disse...

os amantes do círculo polar