eu não consigo decidir entre escrever e olhar netbook, não consigo decidir entre sair e ficar em casa, não consigo decidir entre zélia duncan e christina aguilera. não consigo mais decidir quase nada, e isso já faz um bom tempo.
parece que estou no fundo, e não é no fundo do poço não, é no fundo, no fundo de mim. acho que não tem fundo mais fundo que esse fundo da gente. pode cavar, pode pular, gritar, que o fundo é ainda mais fundo, ninguém alcança não. e a vida passa, e passa porque o problema não está com ela, nem com ninguém dai de fora. o problema está aqui dentro, nasceu aqui, cresceu aqui, vive aqui, e não sai. ninguém tem culpa.
tem tanta gente por ai com pedaços enormes de mim, e não foi nada roubado não. a vida me levou eles, me levou com eles, e me esqueceu aqui. e me (re)aproximo, e me doem essas 'metades afastadas de mim', me doem "como uma fisgada no membro que já perdi". me doem e me matam de completude, me doem e me guardam, me lembram, me amo. e dói, como se não restasse mais nada do tudo reencontrado. como se o tudo não fosse nada, exatamente assim: niilista e clichê. é o tudo que não é nada, é o nada que é absolutamente tudo. e que não existe mais.
são meus olhos nos cílios, minhas mãos nos cabelos, olhos também pros sorrisos, coração pras palavras, pele pros abraços, eram os cheiros em mim, as vozes comigo, as cores nas minhas. são sinestésicas faltas absurdas, imensas, e a vida passa. a vida pisa, a vida sopra, o mundo para. a vida gira. e a gente leva, acreditando em alguma éspecie de ordem natural das coisas. a ordem natural do caos, como se precisasse mesmo de ordem pra ser caos.
se eu pudesse parava a vida e girava o mundo, juro, eu juro que parava. mas a vida passa, passamos também: nós e tudo, tudo, tudo (que) passa. mas o mundo não. e a saudade? a saudade também não.
"a saudade dói como um barco que aos poucos descreve um arco e evita atracar no cais (...)" - Chico Buarque.
sábado, 10 de julho de 2010
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