o dia começou pedindo nostalgia, talvez tenha sido pela noite estranhamente bem dormida ou pela preguiça enorme de deixar o sol invadir e começar uma nova manhã. e, apesar da minha preguiça, ele veio, bem sem jeito, jogando raios entre as nuvens, devagarzinho, como se tivesse em suas mãos todo o tempo do mundo.
senti vontade de deixar que aqueles pequenos raios de sol tocassem minha pele amargamente branca, abri a cortina e o calor tímido que tomou meu corpo aqueceu dos dedos dos pés à minha alma. foi como se tivesse embebida em líquido amniótico e sob o conforto de um útero materno, como se nada fosse mais importante que apenas estar ali e pertencer inteiramente àquele momento.
havia um gosto doce em minha boca úmida, um som suave que vinha de um ponto dentro de mim, como se as batidas do meu coração e o correr do sangue em minhas veias fizessem uma sinfonia. tudo aquilo se encheu de um azul que, assim como o sol, se espalhava bem devagar como se houvessem pequenas formigas pintando, cuidadosamente, cada pedacinho do céu.
senti meu corpo como se fosse um réptil que acaba de fazer sua muda e desperta, refeito, para uma nova fase de sua vida, deixando para trás uma carcaça desgastada e abrindo os olhos para a beleza do novo, que traz nos pequenos detalhes a suavidade de tudo que ainda há para viver.
domingo, 23 de novembro de 2008
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2 comentários:
uau! vc escreveu um quadro de dali! :)
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