sexta-feira, 23 de maio de 2008

atestado de óbito

ela parecia tão segura de si, aqueles passos firmes, aquele rosto trancado para o mundo, como se já tivesse dentro de si tudo o que precisava levar para o resto da vida.. dizem que sempre foi assim, exatamente assim.

ainda criança, cheia de si, ousou falar de amor. parecia tudo tão engraçado aos olhos daqueles ditos mais vividos, e ela falava sem saber no que aquilo daria, mas que era a coisa mais linda que já tinha visto. por mais que ela não tivesse visto quase nada ainda..

e viveu como se fosse mesmo a coisa mais linda, e fez daquele 'amor' sua sina, tanto fez, que acho que acabou sendo amada também.. talvez tarde demais, talvez pouco demais, talvez talvez demais. não se importou com o quando, nem com o quanto, amou mais, e aquilo continuava tão engraçado..

mas em um dia, depois de todos aqueles outros dias, parecia que não haveria mais dia nenhum. ela fez daquele quarto seu túmulo e nada mais, depois fez da sua vida o mesmo que já tinha feito do quarto..

tão triste, tão menina, morreu tão cedo daquela dor de amor.
tão menina, tão cedo (...)

Nenhum comentário: