para atender o pedido dos meus leitores assíduos, estou aqui com essa janela aberta há muitos minutos, tentando escrever sem estar decepcionada com algo, sem estar sentindo falta, tristeza, vivendo uma intensa nostalgia, enfim.
é estranho isso de só estar inspirada quando tem algo me corroendo, sinceramente, concordo que deveria ser o contrário! mas o que falar quando nada temos para dizer?
bom, minha vida anda.. parada, vazia, estável, monótona. não que isso seja muito ruim, mas é que depois de um tempo faz falta aquilo de viver e morrer por algo ou alguém. de uns tempos pra cá tenho percebido as razões de existência de um sentimento pré-histórico, e tem me parecido algo muito mais simples do que eu pensava ser.
esse amor sempre foi meu poço de inspiração, a forma como começou, a forma como caminhou, e até o jeito dramático que terminou. roteiro para páginas e páginas de uma peça, motivos de rios e rios de lágrimas, brilhos e brilhos dos olhos, gargalhadas contagiantes, sorrisos despercebidos, enfim. um amor que, definitivamente, dava o que falar!
e em cada momento de aquietação da minha alma, de estabilidade e monotonia da minha vida, eu, como todo bom poeta, não suportava ficar durante horas olhando para um papel sem conseguir escrever uma palavra. era automático, buscava no arquivo aquele sentimento, que eu, despercebida, mal pude notar que já se passava em preto e branco.
vivia de novo cada segundo, e minha inspiração escorria por entre os poros. inspiração, lágrimas, saudade, dor. um cenário perfeito, que rende litros e mais litros de um produto não-identificado.
nunca soube bem o que era aquilo, o motivo, a razão. o que me importava era que parecia infindo, e era como uma droga. viciava! aquela sensação de poder, em milésimos de segundo, trazer a emoção de volta para a minha vida, era quase como um orgasmo. aquela mistura de prazer e dor me consumia, me hipnotizava e, depois do ápice do efeito, toneladas de perguntas desfaziam meu ser. era um ciclo que parecia ser involuntário e sem fim, mas não..
ainda não sei como, nem onde, nem quando consegui descobrir o quanto tenho controle sobre o meu corpo e as minhas emoções e que, talvez, seja até possível induzir uma paixão, fazendo-a tomar o rumo que eu bem entender! descobri também que aquele arquivo é mais um daqueles que vão embora na próxima limpeza de HD, afinal, precisamos abrir espaço pro que está por vir. deixar acumular coisas que estão inativas, faz mal pra saúde.
pode ser que um dia eu olhe para ela e sinta meu coração bater acelerado, minhas pernas tremerem, mas uma coisa eu garanto: vai ser um novo amor, uma nova história, um novo olhar, um novo eu, um novo ela. aquilo lá, acabou. e não acho que tenha sido tarde demais para perceber isso, pra mim não se passaram dois anos e sei lá quantos meses, pra mim se passou o tempo necessário para entender que, querendo ou não, um dia as coisas encontram seu fim. e os disfarces de vírgula, ponto e vírgula, reticências, travessão.. ah, esses aí, também tem seu ponto final.
um viva aos meus dias e dias sem inspiração, vida vazia e monótona. cada coisa em seu tempo, cada macaco no seu galho, e por aí vai...
quinta-feira, 25 de outubro de 2007
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2 comentários:
err, você realmente só posta quando tem algo te corroendo!
mas né, me mata também ver você falando dessa pessoa eternamente. de ver você prender o pensamento nisso e né, oi.
mas um passo é, saber dar o ponto final. então este é o caminho da vida.
beijosmeliga (L)
Ah senhorita Rafa! No final das contas, você não escreveu como se não tivesse nada te corroendo! Mas bom saber que você tá enfiando um ponto final nessa história tão longa.. E que se acontecer denovo, vai ser novo! Bom.. Novidades fazem bem!
E eu te odeio também, não se preocupe. Sua feia! Você escreve tão bem... <3
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