quinta-feira, 6 de setembro de 2007

''minha fé, em pó solúvel''

é quando penso que sou uma pessoa madura e completa que me deparo com situações como essa: pela terceira vez no ano, machuquei uma parte fundamental do meu corpo.
primeiramente as coisas ficam um pouco sem rumo, afinal minhas mãos e meus pés são, teoricamente, as únicas coisas que até hoje não me fizeram desistir de mim mesma.

é quando entro em quadra e me encontro com uma bola nos pés ou nas mãos que me sinto como alguém que brilha de alguma forma. é quando escuto um elogio de algum dos meus técnicos, é quando dou assistência pra boas jogadas, ou quando correspondo boas assistências com boas finalizações. e é ali, exatamente ali, onde eu desejaria passar todo o tempo que me resta pra viver. não há quem não goste de ser uma referência, não há quem não goste de ser admirado por algo que realmente saiba fazer. mas é exatamente aí que se encontra o erro!

o que sou fora de quadra? quem sou? o que de bom eu sei fazer? quem me admira?
o efeito que o esporte causa em mim é algo momentâneo demais pra me dar alguma estabiliade. eu entro na quadra e sou outra pessoa! mas no mesmo instante em que coloco meu primeiro pé 'de volta ao mundo real', volto a ser o que sempre fui e sou diante do mundo.

pode ser que essas contusões tenham vindo pra me ajudar a lidar com as coisas do lado de fora, procurar algo bom em mim, me recriar, até conseguir sentir tudo o que sinto dentro de uma quadra. algo que veio pra me impedir de fugir insistentemente de mim.

mas foi exatamente aí que percebi o que falta.
hoje, pela terceira vez, me peguei caída no chão de alguma quadra, olhando pro céu como se procurasse alguma luz, sem nem me dar conta do que estava fazendo. descobri que procurava por fé! algum tipo de fé que pudesse me ajudar a passar por aquilo, ou que até mesmo me livrasse de ser o que parecia ser. e a primeira frase que saiu da minha boca foi: eu não acredito.

e realmente não acredito. não acredito em nada! não acredito em Deus, não acredito na minha mãe, não acredito no meu pai, não acredito no mundo, não acredito em fantasmas, não acredito em alienígenas, não acredito em acreditar, não acredito no futuro, não acredito no presente, não acredito no que acreditei, não acredito em você, não acredito nas palavras, não acredito nas minhas mãos, não acredito nos meus pés, não acredito em mim.

e quando eu olho pro céu, não acredito que não tenho nada pra acreditar quando preciso. preciso de um norte, pode ser sul, leste, ou oeste, mas que seja um norte.
quero encontrar a fé que existe em algum canto do meu ser, preciso de força, preciso de calma, preciso de garra, preciso de mim.

o amor que me falta não é o seu, mas o meu.

3 comentários:

Anônimo disse...

também não acredito em Deus, mas oi.

você é ótima jogadora. e fora da quadra, você é a rafa. uma pessoa extroverdida, alegre, simpática e sociável. com tantas qualidades quanto dentro da quadra.

mas o que falta é você reconhecer isto mesmo. .-.

te amo. =*

Anônimo disse...

vc machucou de novo?
=/

Tássia Pereira disse...

eu admiro tanto! e olha que nunca vi jogar. gosto da sua capacidade de lidar com as pessoas, de conquistar a amizade, o carinho e o respeito de cada um. o seu jeito de ser a melhor amiga, a mais confiável, aquela pra qualquer hora! admiro seu abraço.. hahahhaa. sua criatividade tbm! ahsuahusaushua.. tá tá, to fugindo do foco.

mas talvez você realmente deva parar pra pensar, agora.. vai descobrir que tem muito mais pra dar, que é muito mais (e melhor) do que imagina!

te amo tanto.
e o que eu mais queria era um abraço seu agora..

<3