terça-feira, 28 de agosto de 2007

hiatus criativo

tenho vindo aqui constantemente pra tentar escrever algo que passe de palavras vazias, largadas pra evitar as teias de aranha nesse lugar. e entre essas tentativas frustradas me perguntei inúmeras vezes o que poderia estar acontecendo, e da mesma forma que não encontrei palavras pra escrever, nenhuma explicação me satisfez.

lembro que todas as vezes que vim escrever aqui, algo me afligia. nem todos os posts se trataram da aflição do momento, alguns conseguiram fugir dela, mas para fugir de algo é necessário que esse algo exista. logo, quando queria falar da aflição, falava! quando não queria, fugia.

mas resolvi entrar numa de paz de espírto, que ao invés de paz acabou se transformando em uma ausência de tal. quase passei a me amar quando me perguntavam se estava tudo bem e eu dizia que sim! parecia até mentira eu estar lidando de forma tão serena com os acontecimentos recentes, alguns chegaram a perguntar duas vezes se eu tinha certeza que estava bem. passei a escutar insistentemente a música de alguns palhaços vestidos de atores, se passando por cantores, aquilo provocou uma modificação genética em mim, que nem mais chorar era preciso. resolvi encontrar mágica em tudo quanto é coisa desse mundo, e se não dava, inventava! e o fim então? nunca antes tinha visto de forma tão linda! ah... o fim! se tornou minha sina.

me lembro do meu primeiro encontro com o fim.. ele me consumia, secava cada rio que desaguava em meu ser, me perseguia, tirava o sono, tirava sangue, sarro, tudo. era tanta dor que não cabia! folhas de papel não foram suficiente pra me curar, escrevia nas paredes, no meu corpo, no céu, na lua .... era assustador, enlouquecedor! depois disso, algumas outras pequenas coisas acabaram, mas não precisei me dar ao trabalho de sofrer, isso ficou com as outras partes. aliás, a verdade é que depois daquele primeiro fim, não houve recomeço pro meu coração.

não até alguns meses atrás quando me vi pronta pra tentar! pode parecer patético (e é), mas aquilo soava com um sonho bom.. tão bom que dava medo! me disseram mil vezes, por meio de frases feitas ou não: ''rafa, toma cuidado!''
mal sabiam eles que eu já havia extinguido essa tal cautela do meu dicionário, tinha mandado ela pra longe.. junto com seus sinônimos, fiquei com os antônimos, todos eles!

até que em um belo dia, bateram à minha porta. eram pistas, vestígios, que me perseguiram durante uma semana (ou duas) e que me levavam a ele.. é, ele mesmo! o danado do fim. de repente, em mais um dia comum de aflição, quem batia à minha porta não eram mais as pistas, os vestígios, era o fim personificado de começo. começo pra uns, fim pra outros. tentei fechar à porta, disse que não me interessava nada do que ele trazia pra mim! mas minhas forças já haviam se esgotado nas semanas que vivi em negação, fingindo não entender o que me diziam as más línguas.

ele entrou, de terno preto, elegante e fúnebre, sério e concreto. uma figura que costuma provocar desespero e litros de lágrimas ao aparecer, mas me faltou o Norte. e foi desnorteada mesmo que escutei aqueles tais palhaços que citei anteriormente.. eles cantavam cada vez mais alto, o fim se transformou em algo ''belo e incerto'', a ausência simplesmente veio ''fazendo silêncio em todo lugar'', e tudo mudou quando disse veementemente: ''pra minha poesia é o ponto final''.

foi sem dor, foi sem lágrimas, sem ressentimentos. foi mágico, assim como quando tudo começou.. e agora entendo de onde vem todo meu silêncio, entendo também pra onde foi a minha poesia.

2 comentários:

Anônimo disse...

nem iria valer a pena se fosse pra acabar com os litros de lágrimos e todas as coisas...

a maioria das coisas são passageiras e como foi dito, a vida é um rio... então os começos, os fins, os recomeços estão sempre presentes. SEMPRE. então eu acho que são com os fins que se aprende a começar.

o post ficou bom, realmente ficou. e não deixe de postar... é bom ter este momento de colocar tudo pra fora e refletir.

(L)

Babblermouth disse...

Eu li esse post dias atrás e, como já excedi minha cota de leitura diária, não será possível relê-lo.

Rafinha do meu coração, vê se você se cuida. Porque assim você vai poder cuidar de mim =)

Beijos